terça-feira, 14 de agosto de 2007

“Confidencialidade garantida”

Com 8 anos de existência, o Gabinete de Apoio Psicossocial (GAP), do Instituto Superior Miguel Torga, excedeu as suas expectativas iniciais. Com um vasto leque de projectos, que pretendem abranger as mais diversas situações que afectam a comunidade estudantil do ISMT, conseguiu-se dar resposta às necessidades de todos os que o procuram.
O GAP, inserido no Centro de Estudos Psicossociais (CEPS), foi criado com o intuito de apoiar o bem-estar psicológico e o desenvolvimento pessoal dos estudantes ao longo do seu percurso escolar.
Segundo a Dr.ª Ana Galhardo, o gabinete tem projectos em vigor que intervêm a nível de estratégias educativas (no que refere aos métodos de estudo utilizados e à ansiedade característica dos momentos de avaliação), a nível da prevenção primária nas mais diversas dependências (drogas ilícitas, álcool...) e também na prevenção das DST (Doenças Sexualmente Transmissíveis).
Psica-te (www.psica-te.com), um dos principais projectos, é uma página que faculta aos alunos um aconselhamento online e, como afirmou Ana Galhardo, “presta um diferente serviço onde podem colocar dúvidas, questões de uma forma anónima.”
Brevemente, haverá a possibilidade de aceder ao Psica-te do mesmo modo que se acede à página individual de cada estudante do ISMT. Esta possibilidade visa atingir a principal população alvo do GAP, os alunos do ISMT. Devido à constante actualização do Psica-te, novos conteúdos farão parte integrante do projecto, incluindo um novo “botão” interactivo, “Mito Manias”. O “Mito Manias” visa desmantelar alguns mitos relacionados com os vários temas que dizem respeito ao consumo de drogas, à alimentação (distúrbios alimentares), à sexualidade, entre outros. Tem como objectivo esclarecer algumas ideias erradas sobre variados temas.
Para divulgar estes projectos vão ser lançados flyers e cartazes para que os alunos tomem conhecimento da sua existência. Porém, esta não pode ser uma divulgação massiva porque haveria dificuldade, por parte da equipa que constitui o GAP (ver caixa em anexo), em dar resposta à procura.
Apesar da ligação com o ISMT, a equipa técnica não tem acesso à identidade dos alunos que acedem ao Psica-te, “a confidencialidade está seguramente garantida” – salienta Ana Galhardo.
Informações sobre o GAP:
Atendimento Pessoal
Rua Oliveira Matos, n.º17 3000 Coimbra
Segunda a Quinta, das 10hrs às 12:30 e das 14:30 às 17:30
Equipa Técnica
Psicólogas: Dr.ª Marina Cunha; Dr.ª Ana Galhardo; Dr.ª Teresa Carvalho; Dr.ª Rita Santos.
Assistente Social: Dr.ª Ilda Cardoso

Parkour, Arte Urbana


Condição inata, ou não, há quem defenda que o parkour responde há necessidade que o ser humano tem de estar em movimento.



Considerado um método natural de treinar o corpo, para que este esteja apto a ultrapassar os possíveis obstáculos que encontra, o Parkour é um recente desporto radical urbano, com cerca de 18 anos e que chegou a portugal há 2 anos,que também pode ser entendido como um modo de estar na vida.
Os obstáculos do nosso dia-a-dia são, para os praticantes do Parkour, os traceurs, oportunidades para mais um salto com originalidade. O objectivo do Parkour não se limita a saltar de prédio em prédio, até porque está longe de ser isso, mas de partir “do ponto A ao ponto B, usando apenas o corpo humano”, segundo David Belle, criador desta arte urbana. Parkour, que é uma nova adaptação de parcours, palavra francês com significado de percurso, requer particularmente uma boa forma física e técnica, para que seja possível fluir naturalmente pelos obstáculos.
David Belle defende que o seu pai foi o verdadeiro pioneiro da real utilidade do Parkour, quando utilizava esta técnica como forma de sobrevivência, na guerra do Vietname. Parkour é também proveniente da expressão “Parcours du combatant” , técnica desenvolvida por Gérard Hébert, que estudava os métodos para ultrapassar obstáculos. No entanto, o Parkour que hoje se pratica é originário dos subúrbios de Paris, onde Belle e os seus amigos praticavam.
Em Portugal, esta nova modalidade tem contagiado os adolescentes, influenciados ora por documentários no Discovery Channel, como foi o caso do Tiago, de Grândola, ora por filmes como o Yamakasi de Luc Besson e o Banlieue 13, como aconteceu com Ruben Leal, de Olivais, Lisboa. Em busca de mais informação sobre este desporto, ambos depararam-se com a página online
www.parkourpt.com, onde a comunidade portuguesa de Parkour comunica entre si. É através do fórum “onde todos trocamos ideias”, afirma Tiago, que diz ainda “pessoalmente já tive a oportunidade de conhecer algumas pessoas, pois quase todos os fins-de-semana são marcados encontros (jam’s) por todo o país e aí passamos da realidade virtual para a pura realidade.” Segundo Ruben, as jam’s servem para “exporem e esclarecerem dúvidas entre si e conviverem um pouco”.

qualquer praticante (...) mede os riscos

Apesar de ser uma modalidade que apenas necessita de umas calças, uma t-shirts e um par de sapatilhas, o Parkour é também “um desporto principalmente autodidacta”. Tiago defende que “temos que ser nós a perceber o que conseguimos fazer, a experimentar e a aprender com os erros, existem algumas quedas, mas raramente, pois qualquer praticante que se preze mede os riscos de um salto tendo em conta a sua capacidade.”

Foi o “extremo gosto por saltos arriscados, acrobáticos e formas fluidas e eficazes de ultrapassar obstáculos” que influenciou Ruben Leal a aderir ao Parkour, mas a sua experiência no Taekwondo também ajudou. Quanto ao Tiago, sendo a prática do Parkour , na maior parte das vezes, feita ao ar livre, não estando assim confinado a nenhum lugar, fez com que se justificasse “o encanto” que este desporto tem para si. Outro incentivo que também sente é o facto de “qualquer sítio em qualquer parte pode servir para praticarmos, (...) procurar novos obstáculos para podermos ultrapassá-los.”

A evolução no Parkour (PK) requer apenas uma coisa, treino. Para se conseguir superar os limites, que cada traceur define para si, é necessário uma boa forma física, técnica, concentração e dedicação. Nesta modalidade não existe competição, pois é algo que ajuda a conhecer melhor o nosso corpo e os seus limites na sua interacção com o meio ambiente, o qual não se resume apenas ao urbano, pois o PK pode ser praticado em qualquer lado, como o campo, basta que existam obstáculos.


O Parkour não foi feito para impressionar outras pessoas, ele foi feito por motivos que cada traceur deve descobrir em si” – Associação Brasileira de Parkour


Ultimamente, o PK tem sido muito falado, ou porque aparece em filmes e vídeo clips de música ou, no caso concreto de Portugal, porque os canais televisivos também têm ajudado à sua divulgação com reportagens ou até mesmo com programas de entretenimento, como foi o caso da novela Floribela.
É costume encontrar vídeos caseiros de traceurs na internet, quanto ao Ruben e ao Tiago preferem mostrar as suas capacidades apenas aos amigos, “gosto quando as pessoas dão valor ao que faço e vibram com isso” refere Ruben. Porém, o mais importante para eles é a gratificação que sentem quando ultrapassam um novo obstáculo. É quando se corre em direcção ao obstáculo que a adrenalina sobe! Ambos sabem que estas sensações têm de ser controladas, “tem de haver extrema concentração (...), quando se perde o controlo da situação, essa mesma adrenalina transforma-se num medo tremendo que pode levar ao pânico”, afirma ainda Ruben. Já Tiago diz que, quando “estou a transpô-lo e aterro seguramente no chão sem nenhum percalço é fantástico! ....sinto-me livre...”.
Quem desconhece esta arte urbana, acaba por ter uma ideia errada sobre o assunto. Apesar de haver algumas ajudas, como a informação fornecida pelos canais televisivos, como já foi referido, a verdade é que as pessoas vêem o Parkour e “associam à prática de delitos”, contudo “passa por nós, traceurs, destituir essa concepção explicando a cada cidadão que nos interrogue sobre o que estamos a fazer e não ignorando ou desrespeitando, só assim poderemos ganhar mais respeito e compreensão”, “mas regra geral, a sociedade vê nenhum sentido neste desporto e a família acha muito perigoso”, remata Tiago.

A maior parte dos traceurs encara o PK como uma filosofia de vida, na medida em que interiorizam a prática da modalidade como forma de encarar a vida. Tendo a rua como palco principal, os praticantes começam a ver os objectos que lidavam no seu dia-a-dia de forma diferente, “ganham uma nova dimensão”. Depois de obterem o espírito do desporto, os traceurs olham para todos os obstáculos e perguntam-se se conseguem envolve-los e transpô-los com movimento, o que vai depender sempre da capacidade de cada um, nomeadamente da limpeza do espírito, pois PK não é uma questão de resistência física mas de “limpeza”. O facto de, encarar a barreira de frente e tentar ultrapassá-la, é também útil na vida de cada praticante, como afirma Tiago “quando antes poderia fugir de um problema para não o ter de resolver, hoje com certeza que vou enfrentá-lo, ver o que tenho ao meu dispor para resolvê-lo e ir em frente.” Este traceur afirma ainda que para levar o desporto a sério também se muda de hábitos alimentares, faz mais exercício, como treinos de força, para “optimizar o seu desempenho”.



http://parkourpt.com/
http://parkour.net/
www.abpk.com.br








Agradecimentos especiais ao Samurai e ao Bananas.

“Revivo a infância quando escrevo...”


Lourdes Custódio, educadora de infância de profissão, teve uma necessidade especial de escrever para os mais novos. Acredita que é através da fantasia, que a criança apreende os valores essenciais à construção de um Mundo melhor.




Como surgiu o gosto pela escrita?
Recordo-me que o meu gosto pela escrita vem desde os tempos da escola primária...escrevia nessa altura nas últimas folhas dos cadernos, nas contracapas dos livros...na pré-adolescência escrevi um diário, fazia poemas, adorava rimas e provérbios. Como educadora comecei a escrever histórias, a fazer rimas ou pequenas peças de teatro...material para utilização com as crianças no dia-a-dia do jardim-de-infância. Sei que, por um lado, o facto de ter “facilidade em escrever” me ajudou sempre na minha profissão de educadora. Por outro lado, a minha função educativa e o universo infantil a que sempre estive ligada estimulou, sem dúvida, a minha actividade literária. Estas duas realidades são, para mim, difíceis de dissociar. Foi do intercâmbio entre elas que, creio, surgiu o meu primeiro livro.

Tem algum lugar em especial para escrever?
Não tenho nenhum lugar especial para escrever, normalmente escrevo em casa. Mas também escrevo numa viagem de comboio ou até no hospital...como aconteceu o ano passado quando tive um internamento de cinco dias, por exemplo. Ando geralmente com um bloco ou caderno na carteira e quando me surgem boas ideias, anoto-as logo. Prefiro primeiro escrever em papel e só, posteriormente, teclar o texto no computador.

Sentiu alguma necessidade, em particular, em direccionar os seus livros para os mais novos?
Desenvolvi a actividade literária em simbiose com a minha prática profissional, daí o facto de a literatura que escrevo ser dirigida a um público-alvo que conheço e com o qual lido diariamente: as crianças em idade pré-escolar.

Que relação tem com as crianças?
Uma relação bastante próxima, como deve calcular, já que sou educadora de infância. A missão educativa permite-me trilhar privilegiados caminhos de partilha e aprendizagem assentes em valores universais em que acredito: amor, respeito, solidariedade, amizade, tolerância, entre outros. E, ao longo destas lúdicas viagens, as crianças aprendem mas ensinam-me muitíssimo.

Quando escreve revive a infância/ sente-se uma “criança”?
Revivo a infância quando escrevo como o faço também na minha actividade como educadora. Quando se está perto do universo infantil desperta-se mais vezes a “criança” que está dentro de nós e, nesse sentido, temos mais possibilidades de nos tornar melhores pessoas.

Quais os maiores entraves que sente ao ser escritora?
Para mim o facto de escrever dá-me a possibilidade de libertar a minha “veia criativa” e, tenho tido a sorte de estar com as pessoas certas nos momentos precisos. Por estes motivos e não sendo esta a minha principal actividade profissional, não sinto qualquer tipo de entrave como escritora. Sinto-me pelo contrário, uma pessoa abençoada.

Que tipo de mensagem pretende transmitir nos seus livros?
A mensagem dos meus livros, transmitida sempre de uma forma simples e lúdica, veicula valores que acredito serem essenciais ao desenvolvimento da criança e à construção de um Mundo melhor, onde os mais novos serão futuros intervenientes. Através de elementos ligados à fantasia, a criança pode apreender a realidade, desenvolvendo valores como: o amor, a tolerância, o respeito pelo Ambiente, a solidariedade, entre muitos que poderia referir.

Alguns dos seus livros reverteram a favor de instituições de apoio a crianças?
Sim, os direitos de autor de “...estórias e vidas...vidas e estórias...”, uma antologia de vários autores, reverteram a favor da Associação ACREDITAR. Para além de autora de três histórias: “A estrela que queria brilhar”; “A galinha despida” e “Vida de chapéu-de-chuva” fui também coordenadora deste projecto com a jornalista Ana Leal.
Os direitos de autor de As Férias do Pai Natal, da editora Campo de Letras, reverteram a favor do Instituto de Apoio à Criança.

Como é escrever quando se lê cada vez menos?

É um desafio que me indica que não é hora para cruzar os braços. Pelo contrário, é tempo de “fazer piruetas” com a criatividade, inventar novas histórias, criar projectos interessantes que consigam, “contagiar” as crianças, cativando-as para o prazer da leitura. Ninguém nasce leitor e, cada um deve dar o seu contributo a esta causa, tentando colorir , por pouco que seja, este universo que se encontra...cinzentão.

A Determinação sobre rodas


Quem a conhece diz que já nasceu com os patins calçados.
Desde cedo que gosta de ter o seu tempo preenchido. Finalista de Ciências da Educação, Dina Tavares (fig.1) divide os seus dias entre treinos da sua equipa do coração, o Hóquei Clube da Mealhada (HCM), e o estágio do seu curso. Ainda lhe sobra tempo para ensinar às suas pupilas o que de melhor sabe fazer, jogar hóquei em patins.
Não é só dentro de campo que demonstra determinação. Se não fosse a persistência e, principalmente, o prazer que tem naquilo que faz, provavelmente não conseguiria ultrapassar as dificuldades em que vive o hóquei feminino.
Recentemente, todos estes anos de dedicação deram frutos. Dina foi, uma das 10 atletas, a ser convocada para representar Portugal no Campeonato do Mundo, que decorreu no Chile. Apesar de ter jogado à defesa, a sua baixa estatura não a impediu de marcar três golos nos primeiros jogos de classificação. Não tendo tanta sorte como a equipa da casa, a selecção de séniores femininas de Portugal (fig.2) ficou num mero quarto lugar, “mas valeu a pena!” afirma. Esta primeira internacionalização foi considerada “uma das melhores experiências” que teve na vida.
A maneira como encara o dia a dia é reflexo dos valores que aprendeu, ao longo do tempo, nos balneários.
Consegue adaptar-se facilmente a diversas situações, característica do seu espírito de Caranguejo. Mas dificilmente desiste dos seus objectivos, levando mesmo tudo ao limite das suas forças, incentivando a sua equipa na maior parte dos jogos. O público mealhadense fica em suspense quando a sub-capitã do HCM toca na bola, esperando sempre que ela seja a solução da partida ao ter mais um momento de inspiração. As colegas de equipa chegam mesmo afirmar que ela é “um elemento imprescindível”.
Esta jovem de 22 anos espera que a sociedade apoie mais o desporto, para que as modalidades no feminino se possam afirmar.
Dina Tavares deseja ainda ser uma das seleccionadas para representar o país no Campeonato Europeu de Hóquei em Patins Feminino, em 2007.

Coimbra não foge à regra

Sendo uma das formas mais comuns de dissolução do casamento, o divórcio tornou-se também uma moda.
Recentemente, vários estudos revelaram que o número de divórcios tem vindo a aumentar consideravelmente. Na União Europeia, Portugal é considerado o “campeão europeu de divórcios”, como refere uma notícia do Portugal Diário, registando um aumento de 89%, entre 1995 e 2004. Este estudo, realizado pelo Instituto de Política Familiar, sedeado em Madrid, revela ainda que “por cada casamento efectuado no espaço comunitário, um termina em divórcio”.
Questão de liberalização ou não, a verdade é que este aumento verificou-se, particularmente, depois “da Concordata entre Portugal e a Santa Fé permitir a separação”, afirmou um representante da Ordem dos Advogados à agência Lusa. Apesar de ser um país com tradições católicas, este não foi o único incentivo para que a população portuguesa recorresse ao divórcio.
Nos dias de hoje, o ritmo do dia a dia faz com que as pessoas tenham menos tempo a perder com problemas conjugais, desistindo facilmente de resolver possíveis incompatibilidades do casal. Achando que podem ser felizes de outra maneira, na maior parte dos casos, partem, deixando para trás o cônjuge e a vida familiar. O casamento deixou de se encarado como uma questão económica ou familiar, revela-se agora uma questão de amor. “As mudanças sócio -económicas da sociedade portuguesa são essenciais para explicar este fenómeno”, explica o psiquiatra Júlio Machado Vaz, em declarações ao Portugal Diário.
Os dados estatísticos mais recentes do Instituto Nacional de Estatística, que datam de 2004, comprovam que, de facto, a taxa bruta de divórcios é quase metade da taxa bruta de nupcialidade, 2,2% e 4,6% respectivamente, em Portugal Continental.
Na zona centro, particularmente nas regiões do Baixo Vouga e do Baixo Mondego, as taxas não diferem muito da média nacional, sendo que esta última apresenta mais casamentos e menos divórcios do que a primeira. O concelho de Coimbra apresenta uma das maiores taxas brutas de nupcialidade do continente, mas o divórcio não foge mesmo à regra nacional. Voltando no tempo, em 1992 realizaram-se 233 divórcios neste concelho, com o passar dos anos o número aumentou e teve o seu auge em 2002, ano em que se realizaram 478 divórcios. Em 2004, o número diminuiu em cerca de % relativamente a 2002.
Consequência ou não da vida agitada nas cidades, o certo é que são as zonas do interior do país que apresentam menores taxas de divórcios. Resta dizer que, se não é de modas, o interior de Portugal começa a ser uma boa opção.